Sistematização de Julia Dietrich e Claudia Frazão

A escola é sem dúvida construída por sua comunidade – e é o gestor ou a equipe diretiva da unidade que dá a tônica para as relações que se estabelecem no espaço. Fundamentalmente é o gestor que convida a comunidade escolar a participar de um projeto coletivo; é ele que mobiliza as pessoas e as articula a construir colaborativamente as normativas, a função social e os processos da escola. E é a condução dessa gestão, quando amparada por instrumentos democráticos, que possibilita que todos sejam corresponsabilizados e trabalhem juntos na construção de uma educação de qualidade.

Nessa perspectiva, mais de 50 especialistas (organizações e indivíduos) em Educação Integral* indicam as seguintes recomendações aos gestores escolares:

Papel de gestores e coordenadores pedagógicos

Uma escola só consegue implementar a educação integral de forma adequada quando a proposta tem o total comprometimento da equipe gestora. Diretores e coordenadores pedagógicos devem assumir a responsabilidade de orientar e liderar os processos de gestão, mobilização e articulação necessários à plena realização do programa.

Assim, cabe à equipe gestora:

Informação

Assegurar que toda comunidade escolar tenha uma visão clara e compartilhada do que é e como acontece a educação integral, a partir das diretrizes oferecidas por sua rede.

Mobilização

Convocar a comunidade escolar para aderir com convicção e entusiasmo ao programa, por meio de oficinas com alunos, encontros formativos com professores, ações de comunicação com famílias, reuniões com diferentes representações da comunidade.

Adesão

Negociar com a rede para que professores que não desejem participar do programa sejam transferidos para outras escolas e aqueles que aderirem trabalhem em regime integral (40 horas).

Diretrizes

Liderar um processo coletivo de reformulação do projeto político pedagógico da escola à luz da educação integral, gerando um documento coerente e factível – com metas concretas e definição de responsáveis –, que contemple as expectativas (os sonhos) da comunidade escolar.

Pactuação

Assegurar que todos os atores da comunidade escolar estejam comprometidos com o novo projeto político pedagógico e tenham clareza sobre seus novos papéis.

Autonomia

Criar comissões de trabalho na escola que se responsabilizem pelas diversas áreas da educação integral (atividades pedagógicas, articulação com a comunidade, comunicação e mobilização, infraestrutura, monitoramento e avaliação etc.)

Democracia

Oferecer canais de escuta e participação, garantindo que professores, funcionários, familiares e estudante possam opinar sobre a proposta pedagógica e a gestão da escola, de forma que compartilhem sonhos, desejos e responsabilidades.

Transparência

Compartilhar dificuldades, convocar a comunidade escolar para ajudar a resolvê-las e disponibilizar planilhas orçamentárias para que todos possam opinar e repensar os investimentos conjuntamente com a direção.

Acompanhamento

Criar mecanismos para monitoramento permanente do programa de educação integral, a fim de que os envolvidos possam identificar as necessidades de mudança e celebrar os avanços alcançados.

Avaliação

Construir coletivamente indicadores de qualidade e progresso do programa e indicadores de aprendizagem para todas as ações educativas, inclusive atividades complementares.

Comunicação

Divulgar ações e resultados para orientar e motivar todos os envolvidos.

Assegurar que o novo projeto político pedagógico supere a separação entre turno e contraturno, promovendo a integração entre disciplinas tradicionais e atividades complementares (oficinas, trilhas, disciplinas optativas), bem como entre professores e oficineiros da comunidade.

Criar oportunidades para que a comunidade escolar possa ter acesso a novas referências e identificar e/ou gerar soluções para as novas demandas geradas pelo programa de educação integral.

Garantir as condições físicas necessárias para a realização das atividades de educação integral, otimizando recursos da escola, da rede e de parceiros externos.

Integrar a escola ao seu entorno, participando da vida da comunidade e envolvendo-a em todas as etapas do programa de educação integral.

Mobilizar o apoio de diferentes setores da comunidade – empresas, organizações da sociedade civil, serviços públicos, lideranças, moradores, familiares, artistas, entre outros -, de forma a ampliar os espaços e agentes da aprendizagem.

Designar um educador da escola para articular oficineiros, parceiros, comunidade e professores, a fim de que criem um cardápio de oportunidades educativas que integrem o território ao currículo e ao projeto político pedagógico da escola.

Formação: promover ações sistemáticas de formação em educação integral para professores, oficineiros, parceiros da comunidade, entre outros agentes da educação integral.

Trilhas: disponibilizar horários de planejamento, apoiar e empoderar professores para que construam roteiros educativos que integrem disciplinas tradicionais e atividades complementares, saberes acadêmicos e populares, de forma a promover o desenvolvimento integral dos alunos.

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